O narrador de uma obra literária de ficção é, por si, uma criação literária. É como o trabalho de um ator que, quando vai representar um personagem, precisa fazer um estudo das referências desse personagem, da história dele, como ele se movimenta, como fala, o que come, como ele dorme, quem ele ama, quem ele odeia. Isso é um recurso de criação artística que funciona muito bem pra criar um narrador também. Porque isso serve muito pro corpo.
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Como caminhar
O caminho das pernas supera o caminho das pedras. É que o caminho das pernas é interno, vai no ritmo do próprio fôlego. Andar a pé é a melhor maneira de evitar seguir os caminhos já traçados. Quem anda a pé faz o próprio destino, literalmente, a cada passo. As pernas não precisam de petróleo ou de estacionamento. Não há muitos casos de acidentes pernísticos e, quando ocorrem eventuais tropeços, eles geram risos.
O Congresso dos Estados
Na conferência de abertura falou o Estado de Emergência, chamado às pressas para substituir o Estado Democrático de Direito que, por razões de força maior, não pôde estar comparecendo ao encontro.
Plateia de obra
Em Bolonha, existe um nome específico para o cidadão que costuma parar e olhar obras na rua. É o umarell, que pode ser traduzido, com carinho, por “homenzinho”.
Hipótese
O mundo não muda
porque a gente não muda.
Não por medo que a gente
não saiba como,
num futuro diferente,
mas por medo que o passado
não caiba e acabe
no presente.