Meu tocaio Paulo Marmentini estava lendo A lenda do corpo e da cabeça, onde se explica a origem de nomes como Tristeza, pro bairro, e Dilúvio, pro arroio, e me pediu pra fazer algo assim sobre os topônimos da serra.
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A lenda do corpo e da cabeça
1. O bandoleiro Paco
Na antiga casa do Ardelino, onde ficava o açude, botaram um marco. Ali um louco matou um homem. Cortou fora a cabeça com um machado. Tem uma cruz lá, alguém sempre leva flores. Depois que ele cortou fora a cabeça, jogou longe, porque tinha medo que ela voltasse a grudar novamente. Não tem nada a ver com o bandoleiro Paco.
Professor Pozenato
Quando eu era pequeno, em Caxias, eu pensava no Pozenato com incômodo. Um certo ranço de guri de bairro, que vê qualquer outro como privilegiado. Sempre o Pozenato, eu dizia. A tv só entrevista ele, o único escritor serrano considerado como escritor é ele.
Envelheci, cansei e fui tentar me livrar desse rancor. Ler de fato as obras do Pozenato ajudou.
Vida e história de Nanico Pipetta
1. Rumo à Itália
Chamavam ele de Nanico — Pipetta, Polpetta, Pipoca… Mas sempre Nanico. Muito chique o rapaz: olhos de azeitona, nariz de rolha de espumante. Diz que era descendente do famoso Nanetto Pipetta, aquele que nasceu na Itália e veio buscar a Cocanha no Brasil. Só que a história do Nanico é ao contrário: nasceu no Brasil e foi pra Itália buscar a Cocanha.
Foi assim:
Um duplo na Colônia
Existem dois personagens notáveis na serra gaúcha do século XIX. Um kaingang que, a partir dos onze anos, passou a viver entre brancos, e um alemão que, a partir dos onze anos, passou a viver entre indígenas.