Uma vez me perguntaram o que eu gostava de ler e eu disse Sergio Faraco. Riram porque liam, diziam, Tchekov, Hemingway. Livros complexos, diziam. Daí eu criei vergonha e fui ler Tchekov, Hemingway. Bem tranquilo. É tipo as coisas que o Faraco conta, só que na Rússia ou na França.
99 corruíras
Esses tempos falei do Dalton Trevisan aqui. Falei que ele só lia Machado de Assis desde que ficou viúvo, e que em Caxias teria feito sucesso com esse sobrenome.
Pois o Dalton, agora, enviuvou todos os contistas da nação.
Professor Pozenato
Quando eu era pequeno, em Caxias, eu pensava no Pozenato com incômodo. Um certo ranço de guri de bairro, que vê qualquer outro como privilegiado. Sempre o Pozenato, eu dizia. A tv só entrevista ele, o único escritor serrano considerado como escritor é ele.
Envelheci, cansei e fui tentar me livrar desse rancor. Ler de fato as obras do Pozenato ajudou.
Literatura de estiagem
Uma bruxaria pra que a chuva dê um tempo é falar de livros que tratam da seca, do deserto, do estio. Quem sabe se, pensando no outro extremo, não se chega a um equilíbrio?
No deserto dos Tártaros
É um romance do Dino Buzzati, de 1940. Um livro sobre deserto, em termos de paisagem. Mas mais do que isso me parece um livro sobre solidão. O que é também uma espécie de deserto, só que de cada um.